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Mostrando postagens de julho, 2024

Quando suas palavras deixam de fazer sentido

Os dias se passam e os cursos dos ventos mudam. Ando por uma, duas, três ruas, mas nunca é a sua. Paro e penso no que me trouxe até aqui. O teu cheiro, que insiste em ficar no meu nariz. Usei aquele isqueiro que sempre acendia teus cigarros. Queimei nossas fotos, rasguei suas roupas, beijei outras bocas. E, mesmo assim, a vida não continua.

Please don't leave me

Me sinto tão vazia com os seus toques; não se parecem em nada com aqueles pelos quais me apaixonei. Às vezes parece que só eu amo, que só eu pertenço — mas, poxa, eu também sou humano. Quero voltar a provar do teu sabor, desse teu licor que, mesmo ferindo minha garganta, me mantém embriagado e inerte nesse mar de dor. Desisto de me fingir de tolo. Sou corrupto quando se trata de amor; então corra antes que eu atire em seu interior. Estou com uma pistola em mãos. Não sei em quem devo atirar: em você, que me causa dor, ou em mim, que guardo todo esse ódio em pele de amor. E, no final do dia, volto a me afogar no teu oceano de calor, me perdendo lentamente sem sentir sequer uma gota de rancor.

k.

Eu não sei amar pouco, e ao mesmo tempo não sei amar muito. Mas, de alguma forma, encontrei a resposta: amar sem ser amado. Às vezes parece que tudo está bem, mas, lá no fundo, eu ainda o quero bem. A falta que ele faz — e que eu juro não sentir — é sinal de que ainda o quero aqui. E nisso vou mergulhando, me afogando dentro de mim, num escuro em que nem meus olhos conseguem se abrir. Eu quero que ele volte, eu quero que ele me corte. Na minha casa sempre haverá lugar para ele morar, mesmo que, para isso, eu tenha que me mudar.

Me diz que volta

Às vezes sinto falta dos teus lábios, do teu beijo, que sempre encontravam os meus. Sinto falta do teu perfume, de alecrim e orvalho, daquela manhã que passou e nem se notou. Sinto falta da tua voz, da rouquidão, e até de quando simplesmente me dizia “não”. Sinto falta dos teus abraços, aqueles bem grandões, que me cobriam por inteiro com uma só mão. Realmente sinto falta de você: do amor que já me deu e que agora se foi, junto com a sua dor. Você me deixou.